Beato Convent - Events Centre | RISCO

Lisbon / Portugal / 2022

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The dozen or so buildings that make up the Convento do Beato complex date from a number of different eras. They include the old church, what remains of the old convent and several buildings constructed mainly for industrial use in the late nineteenth and early twentieth centuries. The convent’s original cloister, chapter room, refectory, staircase and library have all survived and have been put to use as an Events Centre for a number of years now.


The project developed by RISCO, for Beato Lux, includes the remodelling of the Events Centre and the renovation/refurbishment of the remaining buildings for new uses, namely, services in the old church and housing in the old industrial buildings. The project also includes the construction of two car parks, one above ground and one underground, and various outdoor spaces. 


Work began in 2018 and is scheduled for completion in 2024. In March 2022, work on the Events Centre was completed. This had focused on improving the comfort and safety of the thousands of people who come here each year for parties, corporate meetings and product launches. 


There was a a more technical side to the refurbishment, involving the replacement of the telecommunications, energy and security systems, a restoration of the kitchen and changes to window and door spans and railings, etc. 


And then there was the more creative side to the work, which centred on the design of the administrative building, the courtyards, the new sanitary facilities and certain special elements, such as the walkways for the library's emergency exits. These walkways perfectly express our approach to design, when we are faced with valuable architectural heritage. We strive to make the most of the visual contemporaneity of the new elements, whilst avoiding clashing contrasts with the existing architecture.  


There were also the "surgical operations" that were required in the library, foyer, refectory and chapter room, to install the air-conditioning system, double the number of roof support trusses and alter window and door spans. For this kind of work, we tried to be as discreet as possible.


However, the most important transformation took place in the cloister, the space that hosts larger-scale events. Since the 1980s, this had been covered by a pyramid-shaped roof, covered with acrylic panels. This did not offer the smoke clearance or thermal and acoustic insulation required for this type of use. It also had no air-conditioning system, making it pretty uncomfortable on very hot days. 


The design for the new ceiling resulted from a long process of technical and formal research, made necessary by the desire to ensure that it was structurally light, technically efficient and architecturally coherent with the cloister elevations.


The solution adopted consists of a system of orthogonally arranged trusses that form a set of "honeycombs" that are lit from above by skylights. The new skylights offer thermal and acoustic insulation from the outside and open mechanically in the event of fire. The "honeycombs" have been clad with highly efficient sound absorbent material, which has greatly increased interior comfort and sound quality. Air-conditioning ducts are built into the periphery of this structure.


The new ceiling respects and enhances the proportions of the cloister elevations, whilst also expressing a markedly contemporary language. The contrast between the vertical planes, of worked stone, and the ceiling, of smooth, white plaster, adds value to the space, introducing a complexity that did not exist before.


In this project, as in many others, we did not follow a single "recipe": in some spaces we hide the new technical installations, in others we accept them as elements that add to the composition as a whole. In some cases, our language is decidedly contemporary, in others we take a more conservative approach, by replicating the design of the old carpentry work, masonry and metalwork. 


This was an extensive and complex job that required frequent and ongoing adaptations as the work progressed. When we look at the results of our labours, we find that we have managed to incorporate everything that is required to run a modern events centre and do so without disfiguring spaces that are quite remarkable for their architectural and heritage value. This was always the main aim of our work.

[PT]


Convento do Beato – Centro de Eventos


O Conjunto Urbano do Convento do Beato é composto por cerca de uma dezena de edifícios, de épocas distintas. Dele fazem parte a antiga igreja, o que resta do antigo convento e vários edifícios construídos sobretudo para uso industrial, no final do século XIX, início do século XX. Do edifício do convento permanecem o claustro, a sala do capítulo, o refeitório, a escadaria e a biblioteca, sendo estes espaços utilizados, há várias décadas, como Centro de Eventos.


O projecto desenvolvido pelo RISCO, para a Beato Lux, inclui a remodelação do Centro de Eventos e a renovação/requalificação dos restantes edifícios para novos usos, nomeadamente, serviços na antiga igreja e habitação nos antigos edifícios industriais. O projecto inclui ainda a construção de dois estacionamentos, um à superfície e outro enterrado, e diversos espaços exteriores. 


A obra começou em 2018 e tem conclusão prevista para 2024. Em Março de 2022 terminaram os trabalhos no Centro de Eventos, destinados a melhorar as condições de conforto e segurança para os milhares de pessoas que ali participam em festas, reuniões corporativas ou lançamentos de produtos. 


A intervenção teve uma vertente mais técnica, relacionada com a substituição das instalações de telecomunicações, energia e segurança, a reabilitação da cozinha, a alteração de vãos e guardas, etc. 


E uma vertente mais criativa, relacionada com o desenho do edifício administrativo, dos pátios, das novas instalações sanitárias e de determinados elementos especiais, como os passadiços para as saídas de emergência da biblioteca. Estes últimos expressam bem a nossa forma de projectar quando nos encontramos perante património arquitectónico de valor e que consiste em assumir a imagem contemporânea dos novos elementos, mas evitando fortes contrastes com a arquitectura existente.  


Houve, ainda, lugar para “operações cirúrgicas”, como as que ocorreram na biblioteca, foyer, refeitório e sala do capítulo, necessárias para instalar o sistema de ar condicionado, duplicar as asnas de suporte do telhado e alterar vãos. Intervenções onde procurámos ser tão discretos quanto possível.


Mas a transformação mais importante ocorreu no claustro, o espaço que acolhe os maiores eventos e que tinha, desde os anos 80 do século passado, uma cobertura em forma de pirâmide, revestida com painéis de acrílico, que não acautelava a desenfumagem nem os isolamentos térmico e acústico necessários numa utilização deste tipo. E onde não existia qualquer sistema de climatização, o que criava grande desconforto em dias de temperaturas extremas. 


O desenho do novo tecto foi o resultado de um longo processo de investigação técnica e formal, pois pretendia-se uma solução estruturalmente ligeira, tecnicamente eficaz e arquitectonicamente coerente com os alçados do claustro.


A solução adoptada é composta por um sistema de treliças, ortogonais entre si, que formam um conjunto de “favos” iluminados superiormente por clarabóias. As novas clarabóias garantem o isolamento térmico e o isolamento acústico para o exterior e abrem mecanicamente em caso de incêndio. Os “favos” são revestidos com um material de elevada absorção acústica, o que aumentou muito o conforto interior e a qualidade do som. Esta estrutura integra ainda condutas de ar condicionado na periferia.


O novo tecto respeita e reforça a métrica dos alçados do claustro, mas assume uma linguagem marcadamente contemporânea. O contraste entre os planos verticais, de pedra trabalhada, e o tecto, de gesso liso e branco, valoriza o espaço, introduzindo uma complexidade que anteriormente não existia.


Neste projecto, como em muitos outros, não seguimos uma “receita” única: nuns espaços ocultamos as novas instalações técnicas, noutros assumimo-las como elementos participantes da composição. Nuns casos assumimos uma linguagem marcadamente contemporânea, noutros adoptamos uma atitude mais conservadora, replicando o desenho de antigas carpintarias, cantarias ou serralharias. 


Foi um trabalho extenso e complexo, que obrigou a adaptações permanentes à medida que a obra foi progredindo. Terminada a obra, constatamos que conseguimos implementar tudo o que é necessário para o funcionamento de um centro de eventos moderno, sem descaracterizar espaços absolutamente notáveis do ponto de vista patrimonial e arquitectónico. Este foi sempre o objectivo principal da intervenção.

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