Centro de Realidade Virtual

Virtual Reality Center

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Minha exposição será incompleta e fragmentada, assim inicia Edgar Morin um de seus textos. Ainda que a afirmação no caso do autor seja consciente, ela ocorre a todo o momento na sociedade atual, mas de forma bastante leviana. A revolução sobre a qual a transição do século 20 e 21 impôs, aquela que chamamos Era da Informação, está mudando (mudou) totalmente a estrutura da sociedade contemporânea. A todo o momento a informação tecnológica está ao nosso lado, inconstante, sobreposta, instantânea. Temos a impressão de que nunca o tempo é suficiente, nunca temos tempo para tudo que nos resta. O resultado disso é que nos atemos intelectualmente cada vez menos sobre o mundo, seja ele real, virtual ou imaginário. A quantidade midiática e publicitária da informação que nos é imbuída repetidamente tem validade muito curta, no momento que a lemos outra já está formada. Como em Leonia, uma das Cidades Invisíveis de Calvino, “uma vez que as coisas são jogadas fora, ninguém mais quer pensar nelas”. Esse mundo plural que vivemos, é resultado da complexa interação proporcionada pelos meios tecnológicos atuais. Em segundos, pela rede de computadores, virtualizamos instantaneamente, voz e imagem, para qualquer lugar, as fronteiras se dissolvem. As relações humanas estão muito complexas e transformadoras, segundo Pierre Lévy a “virtualização constitui justamente a essência, ou a ponta fina, da mutação em curso”. Além de todas as mudanças correntes, existe uma em especial limiar de transformação e evolução, a realidade virtual. Atualmente os ambientes gráficos de interface computacional são em grande maioria uma visualização bidimensional da informação que oferecem. Sistemas operacionais, internet, operação de telefones móveis, entre outros, acontecem em um plano cartesiano que não admite profundidade. Uma série de investimentos públicos e privados está sendo feita para que o mundo avance a tecnologia de visualização do mundo virtual em três dimensões. Aliado a isso, muitos grupos relacionados à tecnologia de realidade virtual vem sendo formados em várias universidades. Entretanto estes novos espaços, funções, arquiteturas ainda estão distantes de ter estabelecido um referencial programático, estético e tipológico. A realidade virtual considera a coexistência de três fatores em ambientes digitais, a imersão, interação e envolvimento. Neste sentido o Centro tem na pesquisa a imersão pelo conhecimento, no aprendizado colaborativo a interação pelos indivíduos e o envolvimento pela sociedade com os cinemas e áreas de exposição. Tendo como referência o eixo criado por Louis Khan no Instituto Salk, considerou-se a valorização de um eixo simbólico entre o acesso pela via e a bela vista da cidade deflagrada pela interessante declividade do terreno, por este motivo procurou-se horizontalidade no prédio, uma busca mimética ao seu vizinho. Quase que como numa explosão de uma das laterais do seminário, o prédio assenta-se sobre o terreno deixando para trás também alguns fragmentos. O maior deles, um cubo retorcido de vidro, dá acesso aos cinemas por uma escada helicoidal, em uma referência à arquitetura barroca onde a experiência entre formas, luz e sombra é constante. Esteticamente o prédio busca relação ao programa, com a simulação de imagens estereoscópicas, vários brises coloridos em sequência criam efeito de uma cor que à distância é lida como uma mancha em textura, e de perto, forma um sistema básico de cores primárias. A respeito de sua construção o projeto busca materiais tecnológicos, industrializados e sempre que possível locais. Sua estrutura em aço tem vedação por placas de cimento e aberturas com vidros especiais, específicos a sua função ou insolação. No prédio de exposições são usados vidros eletrocrômicos, ou seja, que sob uma descarga elétrica podem variar seu fator de sombreamento, indo de transparente à quase opaco, permitindo menor ganho de calor ou maior privacidade. Foram utilizadas luminárias LED com tecnologia de Porto Alegre e pisos cimentícios fabricados localmente. Funcionalmente, o projeto considera que espaços ligados à tecnologia estão em constante mutação, visto suas especificidades. Por isso procurou-se versatilidade de salas no sentido horizontal e vertical. Os laboratórios, por exemplo, possuem pavimento duplo e tem fechamento com painéis reaproveitáveis, de forma que com o tempo o prédio possa adaptar-se a novos usos tecnológicos.
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    Minha exposição será incompleta e fragmentada, assim inicia Edgar Morin um de seus textos. Ainda que a afirmação no caso do autor seja consciente, ela ocorre a todo o momento na sociedade atual, mas de forma bastante leviana. A revolução sobre a qual a transição do século 20 e 21 impôs, aquela que chamamos Era da Informação, está mudando (mudou) totalmente a estrutura da sociedade contemporânea. A todo o momento a informação tecnológica está ao nosso lado, inconstante, sobreposta, instantânea....

    Project details
    • Year 2011
    • Main structure Steel
    • Status Research/Thesis
    • Type Government and institutional buildings / Cinemas / Art Galleries / Media Libraries
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